21 setembro 2006
As Manobras contra-atacam
Mais um sketch que escrevi para as Manobras de Diversão e que tem o condão de finalmente tratar a justiça portuguesa com o respeito que lhe é devido.
20 setembro 2006
Bow down to the King

Há música de fazer crescer cabelos no peito e grunhir de contentamento másculo (ou não) na secção Banda Sonora.
Metro

A hora de ponta já tinha passado e isso era bem evidente na descontracção da mulher que lia calmamente um livro de apontamentos.
”Mulher” seria neste caso apenas uma aproximação optimista, uma vez que o seu cabelo ralo e branco, a sua expressão austera e queixo proeminente faziam-na por vezes mudar de sexo, consoante o ângulo em que se a observasse.
Pelas calças curtas pela canela e blusa fina especular-se-ia que trabalhava numa repartição pública sem ar condicionado, optando por tentar manter-se ingenuamente fresca mesmo quando toda a gente sabe que é impossível fugir ao calor de uma vida de trabalho sem sentido.
Pelo avançado da hora teria tirado uma folga. Talvez até aproveitado para tratar dos assuntos do filho pelo qual tinha sacrificado uma existência ao lado de um homem que a tratava como um animal de estimação: uns dias com festas e outros a pontapé.
Agora, ali no metro, já sem marido e sem o respeito do filho por todas as concessões e sacrifícios, suspirava surpreendentemente de alívio a ler o seu caderno talvez de poesias, talvez de sonhos, ou até talvez de especulações sobre se seria possível recomeçar uma vida aos 55 anos de idade.
18 setembro 2006
Cheira-me a Manobras de Diversão
Um dos programas para o qual mais gozo me deu participar como guionista foi as Manobras de Diversão. Assente num formado criado para espectáculos ao vivo na feira do livro e depois no teatro, em fins de 2004 as Manobras mudaram-se para a TV de armas e bagagens usando um híbrido de sketches, stand up e canções para satirizar a realidade contemporânea.
Apesar de contar com o contributo dos grandes Bruno Nogueira, Marco Horácio e Manuel Marques (entre outros), mais uma vez os horários irregulares e a competição com ratings de reality shows ditaram o fim prematuro de uma série que agradava a muita gente.
Espreitem acima um dos sketches escritos por mim e que, curiosamente ou talvez não, ainda permanece super actual!
O bom, o mau e o Hex

Jonah Hex é uma pérola no mercado actual dos comics.
Apostando no formato western há muito desprezado pelo mainstream, apresenta não só um leque interessantíssimo de histórias auto-conclusivas que atravessam muitas vezes as barreiras convencionais de sub-estilos como o terror ou o comic de guerra, conseguindo e muito bem perpetuar o mito do próprio Hex gerado por alguns dos melhores criadores em meados dos anos 70.
Nesta nova colecção com argumentos a cargo de Jimmy Palmiotti e Justin Gray, a grande surpresa acaba por ser não só a já referida consistência conceptual, como ainda o uso de grandes nomes actuais e clássicos na arte de bem desenhar a toda a prancha.
Todavia, as novidades não se ficam por aqui. Marcando o fim do 1º ano de reactivação do título, a DC anunciou um épico especial para os nºs 13 a 15 da série, apresentando não só pela primeira vez a "origem" motivacional do duro caçador de recompensas sulista, como ainda marcando o regresso do histórico artista espanhol Jordi Bernet ao mercado americano e aos estilo western.
Para mais detalhes e exemplos do que aí vem, conferir a entrevista com os argumentistas aqui.
16 setembro 2006
O espelho do outro lado
"Porquê?" - perguntei eu a mim mesmo.
Só que, ao contrário de todas as outras vezes, a resposta surgiu clara e rápidamente, na forma de um rotundo: "Porque mereces!"
Só que, ao contrário de todas as outras vezes, a resposta surgiu clara e rápidamente, na forma de um rotundo: "Porque mereces!"
15 setembro 2006
A propósito de "Loose Change"
A minha opinião é a de que os mesmos acontecimentos podem ter pontos de vista bastante diferenciados.
O 11 de Setembro ora pode ser a risada estúpida de uma mulher embasbacada por um carrocel louco e por um governo demasiado exposto pelo tigre de papel que é a ponto de querer esconder tudo e mais alguma coisa, ou então a mesma viagem pode ser de puro pavor para um puto gordo e para os adeptos da conspiração que vêem bosta de cão onde quer que pisem.
O meu conselho: tudo é relativo menos a nossa própria opinião.
14 setembro 2006
Metro

Todos os dias se viaja no metro sem saber quem vai ao nosso lado.
Hoje abri os olhos e era um homem com 40 anos, franzino, de cabelo curto e bigode.
Usava um colete bege dois números acima do que devia, concerteza para suportar um maço de SG Gigante que ostentava no bolso junto ao peito...como uma pistola pronta a disparar.
Aparentemente olhava pela janela mas o que via era um mistério, já que os olhos moviam-se com intensidade e medo, perscrutando algo bem mais curvo e escuro do que as paredes do túnel que corria cego.
Às tantas reparou que eu o observava e o medo pareceu querer saltar-lhe dos olhos cá para fora.
A voz com o travo almiscarado a mecanização anunciou as Laranjeiras e ele despertou da espécie de pesadelo em que tinha mergulhado, voltando a afundar o olhar na janela da carruagem.
O que será que o assustava?
E porque usaria ele um relógio de mergulhador?
A queda de um anjo

Aparentemente nem a música dos Delfins conseguiu fazer tanto mal à fama dos anjos deste e de qualquer plano existencial do que a série "Anjinho da Guarda" criada por mim e pelo Miguel Braga.
Criada em 2004 com produção executiva da ETIC e SIC Radical, "Anjinho da Guarda" seria a série com mais sangue, vísceras e piadas de mau gosto da televisão portuguesa, isto claro se excluirmos a famosa novela dos anos 80 em que o Caniço cortou o coiso...
Apesar do seu caracter experimental e falta de apoio das entidades instaladas no campo da animação Portuguesa, o Anjinho da Guarda provou que é possível fazer este tipo de produções por cá...o que até deixaria certos produtores irritados pelo pressuposto "barato" com que se fez a coisa.
Vejam ou revejam todos os episódios e as várias facetas da produção da série aqui e não se esqueçam de convidar as crianças e os avózinhos.
13 setembro 2006
O mundo, Johnny Cash e os Zombies
A propósito da nova música a correr na secção Banda Sonora, da autoria do falecido Johnny Cash, ocorreu-me a grande montagem de Zack Snyder para o genérico do remake de Dawn of the dead.
Como podem testemunhar, as palavras roucas e queimadas pela vida do velho Cash, misturadas com as fortes imagens de violência têm um efeito no mínimo arrasador, sobretudo se pensarmos que a maioria não pertence a qualquer filme de Zombies mas sim à galeria diária de um qualquer telejornal.
É com este som e com estas imagens que tudo bate certo, que tudo faz sentido: o filme original de George Romero era uma paródia à crescente sociedade de consumismo dos anos 70, enquanto a versão mais recente é um documentário do mundo infectado pela doença, terrorismo e violência que nos faz a todos zombies.
"The man comes around" indeed...
12 setembro 2006
A mulher interruptor

On.
Off.
On.
Off.
On...Off.
A mulher interruptor hoje quis, ontem não.
Certas vezes era sábia, outras uma fêmea canhão.
Rasta por conveniência, yupie por convicção, morreu sem se decidir, se por fome ou auto-comiseração.
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