Uma overdose sensorial despertou-o para o holocausto zombie que prometia ser o resto da sua vida.
O cheiro a morte assolou-o como um gongo daqueles filmes chineses de kung fu de qualidade duvidosa. Num acesso de lucidez percebeu que o cheiro emanava de si mesmo e que o homem com a cara em carne viva à sua frente lhe sorria como quem lhe dava as boas vindas à família.
Fechou os olhos quando um exército de crianças com os olhos cheios de crostas e podridão lhe pediram de comer, mas por mais que o tentasse evitar sabia que aquela era a sua realidade de agora em diante.
Espreitou para um espelho não tivesse por ele caído, qual Alice entediada. O que viu era no entanto irreversível: ele era um deles, morto há muito, mas só agora capaz de o aceitar.
Tentou chorar, mas tudo o que conseguiu produzir foi um ruído engraçado da sua traqueia dilacerada e expulsar um pequeno verme que se alojara no seu duto lacrimal.
Vendo aquela lágrima branca e nojenta arrastar-se lentamente pela sua face abaixo, encolheu os ombros e juntou-se aos outros, afinal – com um pouco de hábito – descobriu que o sabor a carne humana até se poderia tornar bastante agradável.
31 outubro 2006
Musica nova...
...na Banda Sonora para lembrar o Halloween há uns anos atrás em que uns putos chungas de uma pequena cidade do Ribatejo se partiam a tentar fazer truques de skate ao som de mau heavy metal.
29 outubro 2006
Quem são os muse...?
Muita gente me fez esta pergunta quando disse que fui ver o concerto no campo pequeno da passada 5ª feira.
Pois bem, os Muse são um furacão em palco pelo perfeccionismo da interpretação, valores de produção e capacidade de crescimento.
O concerto do Campo Pequeno está no topo dos melhores que alguma vez vi, e não me admiraria que o amigo Bellamy e sus muchachos fosse apelidados de maior banda do mundo em 2/3 anos.
Isso responde à questão?
Pois bem, os Muse são um furacão em palco pelo perfeccionismo da interpretação, valores de produção e capacidade de crescimento.
O concerto do Campo Pequeno está no topo dos melhores que alguma vez vi, e não me admiraria que o amigo Bellamy e sus muchachos fosse apelidados de maior banda do mundo em 2/3 anos.
Isso responde à questão?
26 outubro 2006
20 outubro 2006
Vejam quem veio comer queijadas


Preview de Daredevil#90, escrito por Ed Brubaker que, precisamente há um ano atrás rumou por estas paragens a propósito do seu estatuto como convidado do Festival de BD da Amadora. CLIQUEM NAS IMAGENS PARA TER ACESSO A VERSÕES MAIORES E LEGÍVEIS.
Mourinho: o segredo!
Tive a sorte de apanhar esta emissão secreta durante uma conferência de imprensa pós-jogo do Chelsea:
19 outubro 2006
E se toda a gente gostasse um bocadinho de ler?

Há perguntas que por mais que nos queiramos abstrair nos marcam com a candura de um tiro no peito.
Há autores que têm o dom de marcar tudo o que fazem com a honestidade da sua entrega fora do comum. O Rui Cardoso Martins é um desses autores que não só marca o nosso país ficcional com Conversas da Treta, Contra-Informações e Crónicas Públicas, mas ameaça também espalhar o terrorismo em forma de ideias que marcarão todas as vítimas/leitores.
É como vítima potencial e admirador que estarei hoje, dia 19 de Outubro, às 18.30 na Fnac do Colombo, a assistir ao lançamento de "E se eu gostasse muito de morrer".
13 outubro 2006
Nova Banda Sonora

Cowboys, kung fu, astronautas e raios laser.
A homenagem dos Muse ao Sem Comentários na Banda Sonora
12 outubro 2006
O melhor videoclip de sempre...
...faz-nos concluir que:
-José Cid tem olhos,
-José Cid era parecido com o "menino Nelito",
-Londres gamou a ideia dos autocarros com dois andares a José Cid,
-Benny Hill gamou a maneira de filmar os sketches a José Cid,
-José Cid é DEUS!
11 outubro 2006
Paz e amor ou a razão porque há Deus no céu e Tarantino e Rodriguez na terra
Grindhouse, a homenagem de Tarantino e Rodriguez aos exploitation films!
P.s- não sei porquê faz todo o sentido ver o Sayid "Lost" entre um bando de zombies canibais dos anos 70...
09 outubro 2006
Warcraft Vs South Park...ou a história de umas pessoas que eu cá sei...
mas a vingança serve-se com pizza fria...e uns quilitos a mais:
A resurreição do modelo SNL...que durou pouco
Apesar da falta de tradição no nosso país, programas como o Saturday Night Live ou Mad TV elevaram o estatuto do sketch interpretado por grupos de actores que funcionavam numa lógica aproximada de companhias de teatro, e que deram ao mundo talentos como Chevy Chase, Eddie Murphy, Bill Murray, ou, mais recentemente Will Ferrell, Mike Myers e Adam Sandler.
Interessante é porém reparar que às ganas criativas do início deste tipo de projectos, e ao seu auge de gags cheios de nonsense e um avantajado par de testículos, se passou em meados dos anos 90 por uma seca que dura até hoje de actores medíocres, piadas repetidas até à exaustão e uma confrangedora falta de coragem em atacar certas figuras.
Se muito pode ser atribuído à presente versão da queda do império romano-americano, às mãos do louco incendiário Nero-Bush, também é verdade que a exigência do público foi sendo cada vez menor numa sociedade mediada por baixos patamares culturais e críticos.
Mas como nem só de exaustão e gerações xunga vive este nosso mundo, uma das melhores coisinhas a sair da MTV enquanto produtora de conteúdos nos anos 90 foi a série The State, que voltou a pegar na comédia de sketches feita in-house por uma companhia de actores saídos de clubes de comédia e do improv-stand up novaiorquino que teve o condão de explodir convenções e explorar gags e punch lines bastante ousadas. Infelizmente a MTV na altura não tinha a abrangência que tem hoje, e o programa, assim como o grupo, viriam a desvanecer-se nas malhas do esquecimento, deixando no entanto grandes malhas como esta…
Interessante é porém reparar que às ganas criativas do início deste tipo de projectos, e ao seu auge de gags cheios de nonsense e um avantajado par de testículos, se passou em meados dos anos 90 por uma seca que dura até hoje de actores medíocres, piadas repetidas até à exaustão e uma confrangedora falta de coragem em atacar certas figuras.
Se muito pode ser atribuído à presente versão da queda do império romano-americano, às mãos do louco incendiário Nero-Bush, também é verdade que a exigência do público foi sendo cada vez menor numa sociedade mediada por baixos patamares culturais e críticos.
Mas como nem só de exaustão e gerações xunga vive este nosso mundo, uma das melhores coisinhas a sair da MTV enquanto produtora de conteúdos nos anos 90 foi a série The State, que voltou a pegar na comédia de sketches feita in-house por uma companhia de actores saídos de clubes de comédia e do improv-stand up novaiorquino que teve o condão de explodir convenções e explorar gags e punch lines bastante ousadas. Infelizmente a MTV na altura não tinha a abrangência que tem hoje, e o programa, assim como o grupo, viriam a desvanecer-se nas malhas do esquecimento, deixando no entanto grandes malhas como esta…
06 outubro 2006
Metro

Ela era tudo.
De lenço no pescoço, ombros à mostra e calções curtos, ocultava o olhar com óculos escuros que mantinham o mistério da direcção do seu olhar.
Os longos cabelos cor de breu contrastavam com o branco cuidado das unhas, numa combinação fatal.
Homem ou mulher, ninguém a ousava olhar de frente. Porém, todos sabíamos que não havia ninguém na carruagem que não estivesse a observar todo e qualquer contorno seu.
Neste estado de embriaguez colectiva, ninguém sabia muito bem onde estávamos quando o assobio mecânico anunciou a chegada à estação e ela saiu.
Percebendo a custo quão fugaz é um vislumbre da perfeição, todos tentámos reagir como se a realidade não fosse um fardo. Ao fundo, um padre voltou a calcular mentalmente o que faria quando fosse acusado de pedofilia, enquanto que um idiota mesmo atrás de mim se lembrou de tentar impressionar a amiga com detalhes sobre a mordida da cobra que havia comprado no mercado negro.
Junto a mim, uma mulher tentou ler o que escrevia. Subitamente desviou o olhar, não sei se por se ter apercebido que outra mulher a deixara tão atraída, ou pelo facto de eu o ter gravado para a posteridade nestas frases.
30 setembro 2006
A 1ª vítima da guerra é a inocência...
O tio Phil abriu as hostilidades com o Ding Ding Dong do Gunther, mas eu contra-ataco com: GUNTHER+SAMANTHA FOX, A VINGANÇA!!!
29 setembro 2006
Robert Downey Jr vai ter cuecas de ferro

Os produtores de IRON MAN acabam de anunciar quem vai vestir a armadura do vingador dourado no filme de imagem real realizado por John Favreu (sim o cómico bronco que deu o corpo a Foggy Nelson no filme Daredevil): o mediático Robert Downey Jr.
Apesar dos imediatos gritos de horror dos fãs, a meu ver a escolha faz todo o sentido já que Downey Jr. tal como Tony Stark não se coibe de caír em vícios e problemas bem mundanos, e, por outro lado, já beijou Calista "Ally McBeal" Flockhart, por isso sabe o que é ter a pele em contacto com materiais frios, inanimados e finíssimos.
O novo Lost?

Vi esta madrugada o primeiro episódio da série que a NBC encomendou para fazer frente ao LOST da ABC.
HEROES pega em conceitos de BD como o White Event da Marvel, ou ainda Rising Stars e uns laivos de Supreme Power do argumentista J. Michael Straczynski, gerando a premissa "o que aconteceria se pessoas normais fossem agraciadas com poderes sobre-humanos.
Aspectos positivos:
*A série mantém uma frescura narrativa que ajuda a elevar o género, mesmo não remetendo para ele directamente, muito a exemplo do Unbreakable de M. Night Shyamalan;
*Ao exemplo de Lost, as personalidades díspares guiam a narrativa, o que dá carácter à série;
*O sentimento de incredibilidade pelas façanhas das personagens é genuíno e, nesta fase, não forçado, pelo que atinge claramente o pressuposto de atrair os espectadores sem os levar demasiadamente para o campo da "suspension of disbelief";
*A personagem do mangaka japonês que subitamente se vê com poderes vai fazer o gosto de todos os fãs.
Aspectos Negativos:
*Alguns dos efeitos especiais são claramente pagos com budget de televisão, o que leva a cenas mal resolvidas, quase a roçar o campo do patético, como a cena de "vôo" de uma das personagens, que parece saída de um mau episódio de "Lois e Clark: the new adventures of Superman";
*Os diálogos são mastigados, com demasiada exposição e com um toquezinho lamechas que normalmente existe na maioria de pilotos cancelados da TV americana. Pode ser que isso seja ultrapassado quando novos guionista pegarem em futuros episódios, pois às vezes o criador nem sempre é o melhor argumentista;
*"Heroes" é mesmo muito parecido com as séries de BD que mencionei atrás, algo até recentemente experimentado em TV na série The 4400 ;
*Os produtores estão claramente a contar com o proverbial "ovo no cú da galinha", avisando que este é só o início de uma saga, que é como quem diz "se isto vender bem vamos sacar o máximo de seasons possíveis e spin offs, nem que tenhamos de sacrificar o plot e tornar o conceito num prato de fast food requentada como os X-Files.
Em conclusão:
Felizmente o panorama do que hoje é descrito como ficção de mainstream continua a alargar-se. Quero acreditar que a série vai conseguir manter-se afastada de clichês e ter uma identidade própria.
Heroes não é o Lost nem nunca será, mas isso nem tem necessariamente de ser algo negativo.
28 setembro 2006
Manhã
Abro um olho.
Ligo a TV nas notícias.
Acordo à medida que vou sendo bombardeado sucessivamente e por esta ordem com um Tsunami, uma chacina de refugiados, um louco homicida num liceu e, finalmente, um discurso de Cavaco Silva.
Foi aqui que percebi que o apocalipse está de facto cada vez mais perto. Afinal de contas, que tipo de mundo cruel é este que nos desperta para um novo dia com a funesta carantonha de Cavaco Silva?
Ligo a TV nas notícias.
Acordo à medida que vou sendo bombardeado sucessivamente e por esta ordem com um Tsunami, uma chacina de refugiados, um louco homicida num liceu e, finalmente, um discurso de Cavaco Silva.
Foi aqui que percebi que o apocalipse está de facto cada vez mais perto. Afinal de contas, que tipo de mundo cruel é este que nos desperta para um novo dia com a funesta carantonha de Cavaco Silva?
26 setembro 2006
Metro

Quem lhe visse a pele mãos das, brilhante e luzidia apesar da tez negra, nunca imaginaria todo o sangue que lhe escorreu entre os dedos há uma vida atrás.
No Ruanda, Camarões ou Zaire, teve de olhar os anciões nos olhos e confrontá-los abertamente numa guerra que não era a sua.
O Crime e a droga compraram-lhe a comida e o conforto a que nunca teriam tido acesso se tivesse optado por ficar entre os seus.
Hoje, numa qualquer carruagem de metro em Lisboa, a comida era mais barata e a sua camisa branca sempre imaculada e perfumada. Todavia os dedos, esses, nunca perderiam a sensação do que foi um dia ter o sangue de crianças inocentes a escorrer em catadupa numa sinfonia de gritos e medo… por mais brilhante e luzidia que fosse a pele das suas mãos.
25 setembro 2006
No século XXI
1- O anónimo será a maior estrela mundial,
2- a vida será a maior das ficções,
3- o vídeo caseiro será o substituto do celulóide,
4- a webcam será o psicólogo de todos,
5- o nada será tudo.
21 setembro 2006
As Manobras contra-atacam
Mais um sketch que escrevi para as Manobras de Diversão e que tem o condão de finalmente tratar a justiça portuguesa com o respeito que lhe é devido.
20 setembro 2006
Bow down to the King

Há música de fazer crescer cabelos no peito e grunhir de contentamento másculo (ou não) na secção Banda Sonora.
Metro

A hora de ponta já tinha passado e isso era bem evidente na descontracção da mulher que lia calmamente um livro de apontamentos.
”Mulher” seria neste caso apenas uma aproximação optimista, uma vez que o seu cabelo ralo e branco, a sua expressão austera e queixo proeminente faziam-na por vezes mudar de sexo, consoante o ângulo em que se a observasse.
Pelas calças curtas pela canela e blusa fina especular-se-ia que trabalhava numa repartição pública sem ar condicionado, optando por tentar manter-se ingenuamente fresca mesmo quando toda a gente sabe que é impossível fugir ao calor de uma vida de trabalho sem sentido.
Pelo avançado da hora teria tirado uma folga. Talvez até aproveitado para tratar dos assuntos do filho pelo qual tinha sacrificado uma existência ao lado de um homem que a tratava como um animal de estimação: uns dias com festas e outros a pontapé.
Agora, ali no metro, já sem marido e sem o respeito do filho por todas as concessões e sacrifícios, suspirava surpreendentemente de alívio a ler o seu caderno talvez de poesias, talvez de sonhos, ou até talvez de especulações sobre se seria possível recomeçar uma vida aos 55 anos de idade.
18 setembro 2006
Cheira-me a Manobras de Diversão
Um dos programas para o qual mais gozo me deu participar como guionista foi as Manobras de Diversão. Assente num formado criado para espectáculos ao vivo na feira do livro e depois no teatro, em fins de 2004 as Manobras mudaram-se para a TV de armas e bagagens usando um híbrido de sketches, stand up e canções para satirizar a realidade contemporânea.
Apesar de contar com o contributo dos grandes Bruno Nogueira, Marco Horácio e Manuel Marques (entre outros), mais uma vez os horários irregulares e a competição com ratings de reality shows ditaram o fim prematuro de uma série que agradava a muita gente.
Espreitem acima um dos sketches escritos por mim e que, curiosamente ou talvez não, ainda permanece super actual!
O bom, o mau e o Hex

Jonah Hex é uma pérola no mercado actual dos comics.
Apostando no formato western há muito desprezado pelo mainstream, apresenta não só um leque interessantíssimo de histórias auto-conclusivas que atravessam muitas vezes as barreiras convencionais de sub-estilos como o terror ou o comic de guerra, conseguindo e muito bem perpetuar o mito do próprio Hex gerado por alguns dos melhores criadores em meados dos anos 70.
Nesta nova colecção com argumentos a cargo de Jimmy Palmiotti e Justin Gray, a grande surpresa acaba por ser não só a já referida consistência conceptual, como ainda o uso de grandes nomes actuais e clássicos na arte de bem desenhar a toda a prancha.
Todavia, as novidades não se ficam por aqui. Marcando o fim do 1º ano de reactivação do título, a DC anunciou um épico especial para os nºs 13 a 15 da série, apresentando não só pela primeira vez a "origem" motivacional do duro caçador de recompensas sulista, como ainda marcando o regresso do histórico artista espanhol Jordi Bernet ao mercado americano e aos estilo western.
Para mais detalhes e exemplos do que aí vem, conferir a entrevista com os argumentistas aqui.
16 setembro 2006
O espelho do outro lado
"Porquê?" - perguntei eu a mim mesmo.
Só que, ao contrário de todas as outras vezes, a resposta surgiu clara e rápidamente, na forma de um rotundo: "Porque mereces!"
Só que, ao contrário de todas as outras vezes, a resposta surgiu clara e rápidamente, na forma de um rotundo: "Porque mereces!"
15 setembro 2006
A propósito de "Loose Change"
A minha opinião é a de que os mesmos acontecimentos podem ter pontos de vista bastante diferenciados.
O 11 de Setembro ora pode ser a risada estúpida de uma mulher embasbacada por um carrocel louco e por um governo demasiado exposto pelo tigre de papel que é a ponto de querer esconder tudo e mais alguma coisa, ou então a mesma viagem pode ser de puro pavor para um puto gordo e para os adeptos da conspiração que vêem bosta de cão onde quer que pisem.
O meu conselho: tudo é relativo menos a nossa própria opinião.
14 setembro 2006
Metro

Todos os dias se viaja no metro sem saber quem vai ao nosso lado.
Hoje abri os olhos e era um homem com 40 anos, franzino, de cabelo curto e bigode.
Usava um colete bege dois números acima do que devia, concerteza para suportar um maço de SG Gigante que ostentava no bolso junto ao peito...como uma pistola pronta a disparar.
Aparentemente olhava pela janela mas o que via era um mistério, já que os olhos moviam-se com intensidade e medo, perscrutando algo bem mais curvo e escuro do que as paredes do túnel que corria cego.
Às tantas reparou que eu o observava e o medo pareceu querer saltar-lhe dos olhos cá para fora.
A voz com o travo almiscarado a mecanização anunciou as Laranjeiras e ele despertou da espécie de pesadelo em que tinha mergulhado, voltando a afundar o olhar na janela da carruagem.
O que será que o assustava?
E porque usaria ele um relógio de mergulhador?
A queda de um anjo

Aparentemente nem a música dos Delfins conseguiu fazer tanto mal à fama dos anjos deste e de qualquer plano existencial do que a série "Anjinho da Guarda" criada por mim e pelo Miguel Braga.
Criada em 2004 com produção executiva da ETIC e SIC Radical, "Anjinho da Guarda" seria a série com mais sangue, vísceras e piadas de mau gosto da televisão portuguesa, isto claro se excluirmos a famosa novela dos anos 80 em que o Caniço cortou o coiso...
Apesar do seu caracter experimental e falta de apoio das entidades instaladas no campo da animação Portuguesa, o Anjinho da Guarda provou que é possível fazer este tipo de produções por cá...o que até deixaria certos produtores irritados pelo pressuposto "barato" com que se fez a coisa.
Vejam ou revejam todos os episódios e as várias facetas da produção da série aqui e não se esqueçam de convidar as crianças e os avózinhos.
13 setembro 2006
O mundo, Johnny Cash e os Zombies
A propósito da nova música a correr na secção Banda Sonora, da autoria do falecido Johnny Cash, ocorreu-me a grande montagem de Zack Snyder para o genérico do remake de Dawn of the dead.
Como podem testemunhar, as palavras roucas e queimadas pela vida do velho Cash, misturadas com as fortes imagens de violência têm um efeito no mínimo arrasador, sobretudo se pensarmos que a maioria não pertence a qualquer filme de Zombies mas sim à galeria diária de um qualquer telejornal.
É com este som e com estas imagens que tudo bate certo, que tudo faz sentido: o filme original de George Romero era uma paródia à crescente sociedade de consumismo dos anos 70, enquanto a versão mais recente é um documentário do mundo infectado pela doença, terrorismo e violência que nos faz a todos zombies.
"The man comes around" indeed...
12 setembro 2006
A mulher interruptor

On.
Off.
On.
Off.
On...Off.
A mulher interruptor hoje quis, ontem não.
Certas vezes era sábia, outras uma fêmea canhão.
Rasta por conveniência, yupie por convicção, morreu sem se decidir, se por fome ou auto-comiseração.
Acabou a guerra!

Agora sim! De acordo com meios de comunicação de todo o mundo, o Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, presidiu ele mesmo à abertura da primeira fábrica de Coca-Cola no país, passados que estão dez anos da destruição da única que por lá havia às mãos dos Talibãs.
No universo Star Trek existem os Borg uma raça de cyborgues que conquistam, assimilam e adaptam todas as raças por onde passam às ordens e princípios do seu colectivo.
Ora George W. não é um cyborgue, nem provavelmente tem inteligência para ser sequer uma máquina de picar bilhetes do metro, mas a verdade é que, no caso do Afeganistão, e do mundo em geral, apetece dizer: resistance is futile...
11 setembro 2006
A Porrada™ do dia

Sete em cada oito médicos recomendam Porrada™ para alegrar o dia*. Fazendo verdadeiro Serviço Público, o Sem Comentários começa hoje a pagar a sua dívida à sociedade pagando em suaves prestações diárias de Porrada™.
Coma Porrada™ você também!
* - o oitavo só não o faz porque provavelmente abusou da sua dose diária de Porrada™.
Labels:
Porrada™
9/11

O mundo dele desmoronou-se por completo naquele dia.
Há cinco anos atrás viu-a pela última vez naquela manhã em que o sol já ia alto apesar da precariedade da manhã.
Trocaram palavras com o sabor das borras do último café de uma tasca de segunda categoria, esquecendo-se de refrear sentimentos que nem eram bem seus.
O bater da porta marcou a saída dela e simultaneamente o primeiro passo dele num deserto de saudades e pesadelos recorrentes.
À noite, só, procurou conforto no rosto brilhante de uma amante chamada televisão, mas esta apenas zombou dele com relatos intermináveis de umas torres que, algures, tinham caído.
foto da colecção Shattered para a "Time Magazine" por James Nachtwey
Aronofsky perdido?
Mantém-se de pé a possibilidade de Darren Aronofsky realizar um dos episódios da série "Lost".
A meu ver, o realizador de PI e Requiem for a dream é hoje não só um dos realizadores mais promissores do género fantástico, como ainda um dos storytellers mais dotados ao nível da exploração dos desejos, medos e intrincâncias humanas das personagens.
A confirmar-se este "casamento" de um realizador de culto como Aronofsky com a série que veio revolucionar a ficção televisiva mundial, dando crédito a um género normalmente conotado de "série B", seria igualmente a prova que hoje, mais do que nunca, os fenómenos mediáticos não estão confinados a qualquer tipo de média ou criador, mas sim à aceitação de um público.
Entretanto, Aronofsky prepara-se para estrear a sua mais recente incursão cinematográfica, The fountain , nas telas de todo o mundo. Um dos primeiros sinais positivos de que pode ser mais um projecto impar é o de ter sido arrasado pela crítica americana, o que normalmente auspicia boas coisas para quem gosta de bons filmes. Confiram o trailer de "The fountain" colocado no início deste post.
10 setembro 2006
Turno da Noite: o blog de produção

Concluida recentemente e aguardando data de exibição na RTP, "O Turno da Noite" é uma série de animação concebida e escrita por mim com grafismo e realização do Carlos Fernandes.
Atendendo à curiosidade gerada por este projecto, iniciámos um
blogue de produção que falará não só das várias etapas pelas quais o projecto passou, mas também contará as nossas influências e ideias nunca usadas, aproveitando aindapara mostrar vários clips e "animatics" exclusivos.
08 setembro 2006
Finalmente: como "Superman, the movie" devia ter acabado!
Até que enfim alguém que tem coragem para dizer o que devia ser dito: os argumentistas profissionais são uma corja! O verdadeiro poder de contar as grandes histórias deveria ser deixado aos fãs que, laboriosamente, abdicam de qualquer vida pessoal e trabalham incansavelmente, muitas vezes em caves bolorentas na casa dos seus pais da qual não saem há 20/30 anos, criticando e examinando a realidade tal como ela é em foruns e mailing lists.
Observem como mais produções icónicas deviam verdadeiramente ter acabado aqui .
07 setembro 2006
Mais uma inovação de Scott McCloud

Scott McCloud pode ser considerado como um dos mais visionários criadores de Banda Desenhada do mundo, não só pelas suas obras de desconstrução e interpretação da chamada "9ªArte", como pelo experimentalismo assumido em muitas das suas obras, quer ao nível artístico quer conceptual, nomeadamente pelo estabelecimento das BD's completas feitas em 24 horas.
Agora, a propósito do lançamento do seu novo livro making comics , McCloud (não confundir com o imortal MacLeod que gosta de cortar cabeças à Katanada) não só se propõe apresentá-lo pessoalmente numa tour pelos 50 Estados Unidos da América na qual levará toda a família atrás, como ainda comentar esta mega operação num inovador podcast familiar, cujo primeiro capítulo pode ser ouvido aqui.
06 setembro 2006
Por falar em Steven Colbert...
Juntem uma personalidade tipo..."digo o que quero mesmo que seja a maior idiotice do mundo pois é assim que os americanos são"...a um choque visual e sonoro à anos 80 e...não é preciso dizer mais sobre as razões que levaram este senhor a conquistar o direito de sair do "Daily Show" e a ter o seu próprio programa.
O neo-humor americano
Um dos paradoxos da humanidade é o de normalmente revelar grandes mentes nos momentos de maior crise.
O humor americano, graças ao cheque em branco passado à humanidade pela administração Bush, vive muito por isso um dos seus mais prolíficos momentos de sempre.
Há muito que não se aliava inteligência a um sentido natural de humor como se verifica em grandes vultos como Conan O'Brien, Jon Stewart, Jack Black, Steve Carell, Will Ferrell e Steven Colbert.
Se o sucesso destes senhores já não passa ao lado de ninguém, talvez se imponha a a questão: porque é que em Portugal há tão poucos humoristas inteligentes, se a crise dura há vários séculos?
O humor americano, graças ao cheque em branco passado à humanidade pela administração Bush, vive muito por isso um dos seus mais prolíficos momentos de sempre.
Há muito que não se aliava inteligência a um sentido natural de humor como se verifica em grandes vultos como Conan O'Brien, Jon Stewart, Jack Black, Steve Carell, Will Ferrell e Steven Colbert.
Se o sucesso destes senhores já não passa ao lado de ninguém, talvez se imponha a a questão: porque é que em Portugal há tão poucos humoristas inteligentes, se a crise dura há vários séculos?
24 julho 2006
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