20 dezembro 2006

Mesinha de Cabeceira Popular #200

Saiu durante a Feira Laica, algures nos recônditos do Espaço profundo a edição nº200 numa série bem mais pequena do "Mesinha de Cabeceira Popular", um Mix.Zine de ilustração e Banda Desenhada para quem gosta de espreitar o lado menos mainstream da vida.

Tendo por base "uma reflexão sobre a cultura popular: ícones, mediatização e globalização", conta com contribuições de Eric Braün, Claudio Parentela, Jano, Jacob Klemencic, Brian Chippendale, Stijn Gisquiere, Nuno Pereira, Filipe Abranches, Dalibor, Katharina Hausladen & Dice Industries, Tommi Musturi, João Chambel, André Lemos, João Maio Pinto, Pedro Zamith, S.G. & José Feitor, Monia Nilsen, Joana Figueiredo e Marte & JCoelho... para além de uma história de 8 páginas com argumento meu e desenhos bem catitas do Pepedelrey.

Consultem o site da Chili com Carne para pormenores sobre os pontos de venda, preços, etc.

11 dezembro 2006

A Porrada™ do dia

A razão pela qual não fiz a vasectomia

A noite em que tivémos todos 5 anos




Por mais que respeite outras opiniões, o show do passado dia 5 da Smackdown em Portugal não só não desapontou como me trouxe toda uma nova dimensão, a dos house-shows que representavam a modalidade e que cativavam espectadores bem antes de qualquer televisão ou gimmick comercial.
Alertado para as diferenças brutais entre o que se vê na televisão e o que me esperava no Atlântico, embarquei céptico para o evento, acompanhado do Carlos, amigo de longa data com quem vi a explosão de ícones como Hulk Hogan, André the Giant ou o Ultimate Warrior por satélite, bem antes de em Portugal sequer se falar em duplas patadas no peito.
O show começou à hora marcada, provando que a organização não tinha nenhuma influência nacional. Logo depois entraria o manager Theodore Long a criar pathos ao introduzir uma Battle Royal de 16 homens para discutir qual o candidato dessa noite ao título de Batista. Logo aí ficou por terra uma das impressões de que o ringue seria mais pequeno…não só os 16 matulões lá couberam todos dentro como houve mais que espaço para algumas manobras arrojadas, bem como para Kane e Chris Benoit enfrentarem sozinhos 6 heels que lhe queriam fazer a folha. Nada mais normal do que ver este primeiro acabar com uma vitória maldosa de Finlay sobre Kane que pediria vingança para mais tarde.
Um a um foram-se sucedendo os combates e o mais espantoso foi não só a entrega do público que nunca deixou de puxar e de fazer a festa, como do cariz alegórico e por vezes circense que bons performers como Vito, William Regal, Mr Kennedy, Benoit e Jimmy Wang.
Para culminar Batista contra Finlay foi um labor of love aquele público louco. O campeão venceu hipóteses inimagináveis, distribuindo spine busters a torto e a direito, enquanto 10 mil pessoas gritavam de pé muito para além do combate quando a bandeira portuguesa cobriu os longos ombros de Batista e se entoou a música de Eddie Guerrero.
Ao meu lado um míudo gritava ao pai: “Vês… o bom ganhou… às vezes não ganha mas hoje correu tudo bem!”. E foi esse mesmo o sentimento numa noite onde todos os “bons” ganharam, todos os “maus” perderam e de repente o wrestling foi um circo divertido onde performers dotados mostraram os seus truques quase saídos dos sonhos de miúdos de 5 anos que nunca se aleijam.

01 dezembro 2006

As últimas 10 do shuffle do meu leitor de MP3...

... ou mais uma demonstração de esquizofrenia latente:

1) Muse- Eco-politics
2) Morcheeba- Rome wasn't built in a day
3) Motorhead- Jailbait
4) Bonnie Summervile- Winding Road
5) Muse- Ruled by secrecy
6) System of a down- Needles
7) Zero 7- In the wayting line
8) Franz Ferdinand- Come on home
9) Kaiser Chiefs- Modern way
10)Tenacious D- The cosmic shame

obs.- Haverá um plot das bandas começadas por M para dominar o mundo?

28 novembro 2006

Morreu Dave Cockrum



Nascido em 1943, Dave Cockrum foi assistente de Murphy Anderson na DC onde ganharia a sua primeira grande oportunidade: desenhar o título "Legion of Super-Heroes" que redefinia para um novo público.

Logo depois saltaria para a Marvel onde colocaria os seus dotes prodigiosos de composição e sentido estilístico desenhando o clássico "Giant Size X-Men 1" que salvaria não só o título da extinção como daria a definição mais famosa de sempre de revamp, levando jovens de todo o mundo a ataques febris com a maneira sexy que desenhava as suas heroinas.

Ano após ano teve problemas de saúde e de dinheiro. Consta que a Marvel o "ajudou" há alguns anos, pagando-lhe as contas médicas em troco da assinatura de um contrato em que rescindia dos direitos das personagens que criou e desenhou.

Deixa-nos para além dos títulos falados pérolas como "Futurians" e "Starjammers", entre muitos outros. Onde quer que esteja, está certamente a desenhar pois era assim que gostava de viver.

24 novembro 2006

Nova Banda Sonora



Raiva contra a máquina contra-ataca!

23 novembro 2006

Entretanto...

A minha fruteira...


A minha oficina...


A minha arma...

10 novembro 2006

Sem Escape

A carruagem estava pronta, a foice afiada e o manto dobrado a preceito.
Todos os dias a Morte se preparava para levar o velho Cristóvão para junto dos seus contemporâneos há muito idos. Todavia, a carta teimava em não chegar, e o homem recusava-se a deixar o mundo dos vivos enquanto esta situação não se resolvesse.
“Mestre Cristóvão, a situação está a passar de todos os limites possíveis e imaginários.” – disse-lhe finalmente a Morte em mais uma tarde que devia ser funesta mas que exalava um primaveril perfume a lilases e sabão da roupa.
“Eu sei. Mais uma vez só posso dizer que estou aborrecido e envergonhadíssimo.” – suspirou Cristóvão enquanto servia uma chávena de chá à sua sombria companhia.
Exasperada, a Morte coçou o nariz, ou pelo menos o sítio onde as pessoas normais costumavam ter nariz – “Já lhe disseram alguma coisa dos correios?” – perguntou, tentando conter a frustração.
“Disseram, disseram. Mas foi só para avisar que ainda não sabiam de nada. E que com as greves todas do mês passado era muito provável que ainda demorasse mais algum tempo.”
“Isso é um ultraje!”
“Foi o que eu lhes disse. Cheguei até a perguntar-lhes se tinham a noção que estavam a brincar com a morte… mas nada. Três colheres de açúcar como sempre?”
A Morte assentiu num suspiro, meio envergonhada por gostar das coisas sempre demasiado doces.
Cristóvão pousou o bule e passou os olhos pela sua modesta casa, onde a única habitação servia simultaneamente de cozinha, quarto e sala de estar.
“Como deve perceber também não é fácil para mim ter tudo preparado e nunca saber a que dia vou partir.” – queixou-se, apontando para a roupa dobrada dentro da mala feita sobre a pequena cama.
“Mas eu tenho guerras para começar e calamidades para servir. E se…” – entusiasmada a Morte levantou-se, quase entornando a chávena - “…e se lhe mandasse entregar a carta no outro mundo?”
Cristóvão torceu o nariz. “Não sei. Com todo o respeito nunca ouvi falar ninguém que a tivesse recebido e regularizado a situação depois de morto.”
De rompante e com os nervos em franja, a Morte caminhou uma vez mais em direcção à porta - “Muito bem. Mais um dia será. Mas vou levar isto às chefias superiores. É impossível o IRS exigir tanto das pessoas.”
Cristovão rematou - “Só há duas coisas certas na vida…”
“Sim, sim… os impostos e a morte, mas parece-me que estes continuam a ganhar vantagem a cada ano que passa” – interrompeu a funesta senhora, batendo com a porta atrás de si.
E nessa noite sentiu-se que as guerras continuariam de folga e as calamidades por acontecer, à medida que um certo técnico tributário recebeu instruções do seu médico para permanecer de baixa por mais quinze dias.

© ND/2006

08 novembro 2006

A Porrada™ do dia

Brinquedos que marcaram a infância britãnica

Blast from the past...


Ah, que saudades da vida na estrada, do vento a bater numa longa cabeleira desgrenhada, e de todos quanto faziam do circuito das cassetes pirata uma verdadeira movida à portuguesa. Bem hajam!

Está escolhida a prenda para este natal...

A Porrada™ do dia

Por falar em "full body thongs"...



Tive o prazer de assistir a uma ante-estreia da docucomédia "Borat!: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan".

De Borat , o famoso reporter do Cazaquistão que já apresentou os MTV Europe Awards e outras tantas coisas já muito se falou e se vai falar ainda muito mais, mas a verdadeira estrela aqui é Sasha Baron Cohen, um animal de palco pela maneira como se mantém in character em situações socialmente atrozes que pela sua ousadia e perigo fariam os meninos do Jackass tremer que nem pequenas Uzbeques assustadas.

A outra estrela, claro está, é a sociedade americana, que consegue ser infimamente mais ridícula do que qualquer tertúlia do Kazaquistão com ou sem galinhas à mistura.

Filho da coragem de Sasha Baron Cohen e da mestria de Larry Charles (vide "Seinfeld" e "Curb your enthusiasm")o filme peca curiosamente apenas pelas partes ficcionadas que não conseguem competir com a graça da realidade crua e desconcertante.

A seguir atentamente como a melhor comédia do ano.

Pepe à lá Coelho



© Jorge Coelho 2006

Coelho à lá Pepe



© Pepedelrey 2006

31 outubro 2006

Conto de Dia das Bruxas

Uma overdose sensorial despertou-o para o holocausto zombie que prometia ser o resto da sua vida.
O cheiro a morte assolou-o como um gongo daqueles filmes chineses de kung fu de qualidade duvidosa. Num acesso de lucidez percebeu que o cheiro emanava de si mesmo e que o homem com a cara em carne viva à sua frente lhe sorria como quem lhe dava as boas vindas à família.
Fechou os olhos quando um exército de crianças com os olhos cheios de crostas e podridão lhe pediram de comer, mas por mais que o tentasse evitar sabia que aquela era a sua realidade de agora em diante.
Espreitou para um espelho não tivesse por ele caído, qual Alice entediada. O que viu era no entanto irreversível: ele era um deles, morto há muito, mas só agora capaz de o aceitar.
Tentou chorar, mas tudo o que conseguiu produzir foi um ruído engraçado da sua traqueia dilacerada e expulsar um pequeno verme que se alojara no seu duto lacrimal.
Vendo aquela lágrima branca e nojenta arrastar-se lentamente pela sua face abaixo, encolheu os ombros e juntou-se aos outros, afinal – com um pouco de hábito – descobriu que o sabor a carne humana até se poderia tornar bastante agradável.

Musica nova...

...na Banda Sonora para lembrar o Halloween há uns anos atrás em que uns putos chungas de uma pequena cidade do Ribatejo se partiam a tentar fazer truques de skate ao som de mau heavy metal.