23 outubro 2009

O asco



Era com nojo, repúdio e um ódio vomitado a muitas noites sem dormir, que a velha olhava o jovem casal de namorados que trocava carícias na fila da frente do cinema.
Tensa, tremia a cada promessa sussurrada.
Tê-los-ia deixado em cinzas desfeitas caso dos seus olhos brotassem raios de repulsa fumegante.
Não aguentou mais e abandonou a sessão quando a rapariga encostou a cabeça no ombro do rapaz e suspirou como se nada mais importasse no mundo.
Neste mar de azedume com que partiu para a casa vazia, acabou por não ver como a relação terminou antes dos créditos devido às pipocas serem ou não demasiado salgadas.

2 comentários:

Ana Branco disse...

Muito bom.

r. disse...

excelente texto